Rugas

Vejo-me diante do espelho.
O rosto é refletido por um retrato
que já não conheço.
O medo me aflora…
Foram tantos os desencontros que são
identificados pelas rugas aparentes.
Volto a olhar-me e enxergo,
também as diferenças de uma longa
caminhada de lutas e vitórias… me fortifico!
Pensando bem, fui muito feliz!
Portanto cada ruga lembra um fato…
Não há por que atemorizar-me…
A lágrima não derramada e que se esconde
hoje, ontem, esteve afortunada a enaltecer beleza.
O espelho, todavia, não me ilude, é bastante
transparente na sua crueldade.
Revolto-me contra minha fraqueza.
Afago a face que já não é a mesma e não mais será.
Tudo mudou!
Cada ruga representa uma dor, uma alegria,
uma caminhada de uma jornada percorrida.
Há saudades que nunca findam…
Ausências que perduram e insistem neste momento.
Olho-me profundamente e me aceito como agora sou…
Aceito os meus choques e arranco deles o
que posso preservar.
Vejo estão que vivi… e como!
E as rugas aí estão nítidas para a confirmação do quanto tem sido proveitoso viver.

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