Roda Gigante

Quero trocar minha musa por um passeio solitário e inútil num parque de diversões, desejo trocá-la especificamente pela derrotada roda gigante e através dela, ainda que sozinha e rachada ao meio, espernear com minhas agoniadas lágrimas intempestivas. Eu preciso livrá-la deste mal que me assombra, afastar-me dessa árdua corrida, onde o vencedor, nem sequer existe. Eu preciso mantê-la além, para muito além da roda gigante, e eu envelhecerei aos pés dessa máquina ardilosa, dentre suas ferrugens e pinturas desfiguradas pelo tempo, estará minha pela culpada, estragada, vitima do recuo ineficaz que cometera.
Quero trocar minha coleção de ossos, de dentes, cadáveres, e quero, meu amor, que você se esconda por trás de quaisquer folhagens, que toda a cúpula do céu te ampare, já que há todo um mar inflamado ao nosso redor. Eu quero trocar as minhas últimas palavras, por um gesto de amor dos teus punhos e lábios e com isso desgraçar o nosso futuro juntas. Eu receio não poder estar lá quando precisares de mim, eu temo não ter a chance de compor meus últimos poemas, de reunir todos os fragmentos perdidos que declarariam caber a você qualquer modificação nesse plano inviável, porém, aceito.

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