Advento

Quando chegares, não precisas baterdes à porta:
Toma à tua mão a maçaneta, abra e entre.
Sinta o calor que nasce em cada vão
Da velha hospedaria
E sinta o perfume que exala das minhas lágrimas
De saudade.
Quando chegares, não precisas nem mesmo me saudar:
Toma nos teus lábios o meu silêncio
E ria do meu pranto de ventura
E aperte-me junto ao teu peito
Com a nostalgia daqueles que se permitiram
Envelhecer.
E quando enfim chegares,
Eu haverei de sepultar as minhas dores
Com a esperança das crianças que esperam da noite
Apenas o advento do
Outro dia.
E se chegares algum dia,
Eu haverei de chorar as minhas últimas lágrimas
(aquelas que eu guardei somente para esse dia)
E antes que a noite e o frio novamente caiam sobre nós,
Eu terei sido feliz.
Muito feliz.

Deixe uma resposta