Ode à Paz


Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Teu lindo olhar

Eu queria fazer uma poesia de teu olhar,
Como uma poesia de outra poesia,
Pois ele é negro, como noite sem luar,
E perfeito na suavidade de sua simetria…

São olhos que podem encantar,
Num poder que há todos contagia,
Olhos que eu não canso de olhar,
E me encanta na sua doce magia…

Quiçá, se eu pudesse encontrar,
Palavras para adapta-los neste tema,
Para que todos pudessem também enxergar,
Ao seu olhar na forma de um poema…

Mas só as palavras não podem identificar,
Nem mesmo a perfeição do quadro do artista,
Pois nada, pode assim simplificar,

Há este negro olhar, tão intimista…

Que me fez um dia paralisar,
Ao me ver fixo em sua rara beleza,
E no seu brilho, eu pude enxergar,
O amor, na sua plena certeza…

Parece até que o futuro pode me mostrar,
Mesmo que me prendendo no passado,
Mas dando-me a certeza de para sempre amar,
No intimo deste seu olhar apaixonado…

E desse modo, eu posso escrever,
Para que todos possam identificar,
E assim sei que poderão ler,
A poesia, deste teu negro olhar…