Poesia

Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.

Meu coração dolorido
As suas mágoas exala,
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.

Pudesse eu eternamente,
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.

Minha alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.

Machado de Assis

A árvore da serra

Se eu fosse um padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema – ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário Quintana

Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus

Eu não te amo…

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira.

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Somos livres

Acordei de um sono intenso,
E descobri que havia sonhado
Com as flores do jardim
Que ainda não havia conhecido
As primeiras emoções surgiram
Quando, também pela primeira vez
Escutei uma canção
E quando as primeiras palavras vieram a boca,
Também descobri a palavra amor, mas…
Não sabia quão complicado, esse desconhecido,
Apenas que era um mistério a ser decifrado
Um dia, quando tudo parecia caminhar tranqüilo,
Estava eu a beira de uma descoberta…
Não foi lá grandes coisas,
Era apenas um alarme falso da alma,
Tudo bem, falei comigo mesma e o sonho ainda continuou…
Mais um dia vem, me chamar atenção,
Era uma paixão que logo se foi ao cair da noite.
O sonho continuou a seguir o seu caminho…
Pois, bem…
Descobri a desilusão a primeira palavra do vocabulário que não estaria como sinônimo da palavra amor.
Depois descobri a palavra paixão, que se esvai com o tempo e deixa apenas feridas e muitas vezes não deixa nada, e

como um nada se esvai.
Imaginei que o amor não se enquadraria nesse desconhecido.
Mas…
O sonho não parou,
Encontrei uma estrela que me dizia, que a formosura de um belo dia está no azul do amanhã que surge…
Não entendi.
Quando, no meio do caminho encontrei várias pedras, pensei em voltar a realidade,
Apenas, me cansei de sonhar,
Foi somente, um não para novamente me sentir um nada.
Também não entendi.
Descobri a palavra covardia, não simpatizei com ela…
Procurei um outro sentido para a vida,
Então, pude sentir o perfume das flores e respirar o ar puro do amanhã, porque…
Descobri a palavra fé, perseverança, Força de vontade.
Mas, antes de mais nada, pedi um abraço aquele que me criou.
Desde então encontrei a palavra amor e todos os seus significados.