Longe de ti

XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente…

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente…

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

Olavo Bilac

Mulher completa

Que mulher me judia e me alucina
Vez humilde, vez poderosa e vez calada
Com jeito de mulher, moça e menina
Sabendo agir cortês e também despudorada

Qual mulher poderia ser assim
Talvez miragem ou sonho acordado
Vendo você e sentindo em mim
Entendo ser eu por Deus abençoado

Não bastasse toda essa emoção
Poder ser mãe, amante, mulher ou vadia;