O conto do sábio chinês!

O conto do sábio chinês!
Era uma vez um sábio chinês;
que um dia sonhou que era uma borboleta;
voando nos campos, pousando nas flores;
vivendo assim um lindo sonho;
até que um dia acordou
e pro resto da vida uma dúvida lhe acompanhou;
se ele era um sábio chinês, que sonhou que era uma borboleta;
ou se era uma borboleta sonhando que era um sábio chinês….

Fonte: Mensagens e Poemas

A lenda da serpente

Conta a lenda
que uma vez uma serpente
começou a perseguir um vaga-lume.

Este, fugia rápido,
com medo da feroz predadora,
e a serpente nem pensava em desistir.

Fugiu um dia e ela não desistia,
dois dias e nada…
No terceiro dia,
já sem forças,
o vaga-lume parou e disse a serpente:

– Posso lhe fazer três perguntas?

– Não costumo abrir esse precedente a ninguém,
mas já que vou te devorar mesmo, pode perguntar…

- Pertenço a sua cadeia alimentar?

- Não.

- Eu te fiz algum mal?

– Não

- Então, por que você quer acabar comigo?

- Porque não suporto ver você brilhar…

Moral da história:

Têm pessoas que se dizem seu amigo, mas o que eles querem mesmo é acabar com o seu sucesso.

Fonte: Mensagens e Poemas

A Menina e o Pássaro Encantado

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro. Ele era um pássaro diferente de todos os demais: Era encantado. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades. Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava.

Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão e explicou:

-”Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco de encanto que eu vi, como presente para você.”

E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro. Outra vez voltou vermelho como fogo, penacho dourado na cabeça e novamente explicou:

-”Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. Minhas penas ficaram como aquele sol e eu trago canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.”

E de novo começavam as estórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre. Mas chegava sempre uma hora de tristeza.

-”Tenho que ir”, ele dizia.

-”Por favor, não vá, fico tão triste, terei saudades e vou chorar.”

-”Eu também terei saudades”, dizia o pássaro. -”Eu também vou chorar, mas eu vou lhe contar um segredo: As plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios. E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudades. Eu deixarei de ser um pássaro encantado e você deixará de me amar.”

Assim ele partiu. A menina sozinha chorava de tristeza à noite. Imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa destas noites que ela teve uma idéia malvada.

-”Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá; será meu para sempre. Nunca mais terei saudades, e ficarei feliz.”

Com estes pensamentos comprou uma linda gaiola própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera.

Finalmente ele chegou, maravilhoso, com suas novas cores, com estórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz. Foi acordar de madrugada, com um gemido triste do pássaro:

-”Ah! Menina. Que é que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias e sem a saudade, o amor irá embora.”

A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas isto não aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ia ficando diferente. Caíram suas plumas, os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio; deixou de cantar. Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava pensando naquilo que havia feito ao seu pássaro amado. Até que não mais agüentou e abriu a porta da gaiola.

-”Pode ir, pássaro, e volte quando quiser.”

-”Obrigado, menina! Eu tenho que partir e é preciso partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. É preciso voar, voar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da gente. Sempre que você ficar com saudades, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudades, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar.”

E partiu. Voou que voou para lugares distantes e a menina contava os dias, e cada dia que passava a saudade crescia.

-”Que bom”, pensava ela. -“Meu pássaro está voando e ficando encantado de novo.”

E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos; e penteava seus cabelos, se perfumava e colocava flores nos vasos.

-”Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje.”

Sem que ela percebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado como o pássaro. Porque em algum lugar ele deveria estar voando espalhando seu encanto. De algum lugar ele haveria de voltar. AH! Mundo maravilhoso que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama.

E foi assim que ela, cada noite ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento.

- “Quem sabe ele voltará amanhã… quem sabe… quem sabe…”

Fonte: Mensagens e Poemas

Os viajantes e o urso

Dois viajantes estavam viajando juntos quando,
na estrada, encontraram um urso.

Um dos homens, apavorado, sem pensar no companheiro,
subiu depressa a uma árvore, escondendo-se ali. O outro, vendo que não tinha saída possível,
sozinho contra o urso, percebeu que só lhe restava
atirar-se ao chão e fingir que estava morto,
pois ouvira dizer que o urso jamais toca
em um cadáver.

E ali ficou, enquanto o urso se aproximava
e cheirava-lhe a cabeça, resfolegando.

Ouviu bem seu nariz, seus ouvidos, seu coração, e
como o homem se conservasse imóvel e
retivesse a respiração, supôs que ele estivesse
morto e afastou-se dali.

Quando o urso já estava bem longe, o
companheiro desceu da árvore e perguntou
o que o animal cochichara para o amigo.

-Pergunto-,disse- porque observei que ele
chegou com a boca perto do teu ouvido.

-Ora – responde o outro -,não me disse
segredo algum. Apenas recomendou-me
que fosse cauteloso quando estivesse em
companhia daqueles que, diante de uma
dificuldade, abandonam os amigos em
apuros.

(extraído do Livro:Fábulas do mundo inteiro)

Fonte: Mensagens e Poemas

A Riqueza e o Conhecimento

Era uma vez, num reino distante,
um jovem que entrou numa floresta
e disse ao seu mestre espiritual:
Quero possuir riqueza ilimitada para poder ajudar o mundo.

Por favor, conte-me, qual é o segredo para se gerar abundância?

O mestre espiritual respondeu:

Existem duas deusas que moram no coração dos seres humanos.
Todos são profundamente apaixonados por essas entidades supremas.
Mas elas estão envoltas num segredo que precisa ser revelado, e eu lhe contarei qual é.

Com um sorriso, ele prosseguiu:

Embora você ame as duas deusas, deve dedicar maior atenção a uma delas, a deusa do Conhecimento, cujo nome é Sarasvati.
Persiga-a, ame-a, dedique-se a ela.

A outra deusa, chamada Lakshmi, é a da Riqueza.
Quando você dá mais atenção a Sarasvati, Lakshmi, extremamente enciumada, faz de tudo para receber o seu afeto.
Assim, quanto mais você busca a deusa do Conhecimento, mais a deusa da Riqueza quer se entregar a você.
Ela o seguirá para onde for e jamais o abandonará.
E a riqueza que você deseja será sua para sempre.
Existe poder no conhecimento, no desejo e no espírito.
E esse poder que habita em você é a chave para a criação da prosperidade.

Fonte: Mensagens e Poemas

O Avarento

Um avarento tinha enterrado seu pote de ouro num lugar secreto do seu jardim. E todos os dias, antes de ir dormir, ele ia até o ponto, desenterrava o pote e contava cada moeda de ouro para ver se estava tudo lá. Ele fez tantas viagens ao local que um Ladrão, que já o observava há bastante tempo, curioso para saber o que o Avarento estava escondendo, veio uma noite, e sorrateiramente desenterrou o tesouro levando-o consigo.
Quando o Avarento descobriu sua grande perda, foi tomado de aflição e desespero. Ele gemia e chorava enquanto puxava seus cabelos.
Alguém que passava pelo local, ao escutar seus lamentos, quis saber o que acontecera.
“Meu ouro! Todo meu ouro!” chorava inconsolável o avarento, “alguém o roubou de mim!”
“Seu ouro! Ele estava nesse buraco? Por que você o colocou aí? Por que não o deixou num lugar seguro, como dentro de casa, onde poderia mais facilmente pegá-lo quando precisasse comprar alguma coisa?”
“Comprar!” exclamou furioso o Avarento. “Você não sabe o que diz! Ora, eu jamais usaria aquele ouro. Nunca pensei de gastar dele uma peça sequer!”
Então, o estranho pegou uma grande pedra e jogou dentro do buraco vazio.
“Se é esse o caso,” ele disse, “enterre então essa pedra. Ela terá o mesmo valor que tinha para você o tesouro que perdeu!”
Moral: Uma coisa ou posse só tem valor quando dela fazemos uso.

Autor: Esopo
Fonte: site de dicas uol.