Achei Achados

Achei um segredo
Descobri um medo.
Achei um pedaço
da saia da
Rainha Pinga Minga
Tem junto uma mandinga.
Cruz Credo! Não abri ainda!
Achei a calcinha da
Branca de Neve
Quem achar pode usar
Será que me serve?
Achei o penico do
Feiticeiro da Barba Pouca
O penico é de ouro
Deu no touro
Será penico
ou será tesouro?
Achei um brinco da Cinderela
Guardei tão bem guardado
num cofre inventado,
que nunca mais encontrei.
Será que eu sonhei?

Namorando a borboleta

Borboleta que olha o céu,
Espaço de mel
Em potes de açúcar,
Bate a asa
Entre a chuva e a paisagem,
Bate a perna
Entre a água e o jardim.
Vento cai
Tão linda menina,
Azulada na minha piscina.
De amor conquistar
Em tão bela sina,
O casulo,
Borboleta-menino!

Meu Filho

Sua pouca idade faz com que tantas coisas ainda não compreendas
A inocência com que sorri para mim, reflete o homem que serás um dia
Posso não estar fisicamente tão presente em tua vida
Posso não ter te dado todos os abraços que sem dúvida mereces
Posso não ter sido a mãe mais presente do mundo
E se papai do céu levasse hoje a sua mãezinha
Esta iria triste, triste
Não por ter te deixado
Aonde quer que eu vá…
Por onde eu existir estarás sempre comigo
Mas pelos abraços e beijos que nos foram impossibilitados
Pelas coisas que a tua imaturidade ainda não lhes permite compreender mesmo que eu dissesse agora
Eu iria triste porque sonho em vê-lo crescer
Ser pai
Ter uma família
E dar para os teus filhos o amor e o carinho
Que um dia
Alguém me impossibilitou de te dar.

Está noite sonhei

publicidade anuncie

Que uma borboleta
Sorrateira entrava
Em meu quarto e
Ligeiramente voava
Pra dentro de mim

De repente
Surgiu do Nada
Um campo vazio e quente
Que não tinha fim

A borboleta surgiu parada
Mesmo fronte a mim
E linda flutuava
Com asas de cetim

Subitamente
Quis capturá-la
Tê-la sempre
Perto de mim

Num impulso
Pensei que a apanhava
Mas que estranho
Como me enganava
Que ela fugia de mim

De repente
O campo transformou-se
Em Nada
Um Nada que não tinha fim
E dei por mim assustada
No meio do escuro
E do Nada em
Que muito queda e parada
Procurava por mim

Foi quando vi
Que ao fundo flutuava
A borboleta sublime que esperava
E para lá corri

Surpresa inesperada
Que enquanto corria
Do infinito Nada
Surgia
A cada passo que dava
Cor e música e som
O próprio solo que pisava
Flores e campos
Um mundo infindo enfim

E a borboleta bela continuava
Levemente voava
Para o infinito sem fim
E eu corria e não cansava
E o mundo
Surgia de mim!

Ficar de novo pequenina

Olhando as crianças brincando
Comecei a pensar
Talvez quando eu era criança
Adulta eu queria ficar…

E mil lembranças
Voltam em minha mente
De quando eu era pequenina
Uma criança somente…

Muitas recordações…
Dias felizes… as emoções
E ate das tristezas
Que um dia tive…

Será mesmo que aproveitei?
Será que eu valorizei?
A grandeza… a alegria…
Aquela vivência em plena ‘folia’?

Será que o adulto eu analisei?
Será que eu acreditei?
Que tudo seria melhor quando eu crescesse?
E adulta eu fiquei!

E hoje quero confessar
Que a infância me fascina…
E que eu daria tudo…
Pra ficar de novo pequenina!

Filhos

Criança amiga,
Criança minha,
Um dia te gerei e em meus braços te embalei
Parada eu ficava, olhando teu berço enquanto dormia.
E, em tuas veias, era a vida que corria.
No calendário o dia me mostra,
é teu aniversário
e não precisas mais do berço.
Parada fico eu agora, à beira da tua cama,
olhando a vida passar e essa cama não mais te servirá.
E mesmo assim te vendo como
Criança amiga
Criança minha
Sonho que ainda depende só de mim
e teu mundo é somente eu e teu berço.

O Sorvete

Colorido, gostoso
este meu sorvete!
Seguro a casquinha
e bebo a doçura
que desce de leve
para dentro de mim.

Meu estômago está alegre
como meu coração:
– dois lindos morangos.

Um dia…

Um dia você me chamou de criança,
criança eu sei que sou.
Mas um dia você terá saudades
da criança que sempre te amou.

Você criança

Você criança,
que vive a correr,
é a promessa
que vai acontecer…
é a esperança
do que poderíamos ser…
é a inocência
que deveríamos ter…
Você criança, de qualquer idade,
vivendo entre o sonho e a realidade
espargem pelas ruas da cidade,
suas lições de amor e de simplicidade!
Criança que brinca,
corre, pula e grita
mostra ao mundo,
como se deve viver
cada momento, feliz,
como quem acredita
em um mundo melhor
que ainda vai haver!
Você é como uma raio de luz
a iluminar os nossos caminhos,
assemelhando-se ao Menino Jesus,
encanta-nos com todo teu carinho!
Você é a criança,
que um dia vai crescer!