Deus preferiu essa carne
Não quis os templos que eu posso construir
Com minhas mãos
Me fez casa
Eu sou morada
Lugar de Deus
Que não está lá fora
Mas sim mora dentro de mim
Abri a porta e Ele entrou em casa.
Estou em obras.
Essa morada um dia será perfeição!
Deus preferiu essa carne
Não quis os templos que eu posso construir
Com minhas mãos, não!
Me fez casa
Eu sou morada
Lugar de Deus
Que não está lá fora
Mas sim mora dentro de mim
A minha janela são estes olhos que brilham
Uma coisa ela mostra
Quem a ilumina é o meu Amado
Mudando as coisas de lugar
Dentro de mim, dentro de mim
Eu sou casa
lugar de Deus
Ele habita em mim
Lá fora é frio
Lá fora é medo
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O que Significa Pai Nosso?
Cura-nos
Cura-nos, Senhor
do temor e da incredulidade
da cegueira e da desesperação
da tristeza sem causa e do assombramento
do amor e das saudades
livra-nos pino do dia
em que te não esperamos
e pesada e inepta vai a alma
e que a asa da tua madrugada
nos acorde para o trabalho da fé
e a hora da compaixão que não tem hora
José Augusto Mourão (Portugal 1947 – )
Transcendência
Amor transcendental:
Verbo que se fez carne
e desceu ao âmago do inferno,
rompendo a pretidão do abismo.
A carne rasgada
e o sangue que ainda escorre
das veias do Verbo
fazem o rio da vida eterna.
Eliúde Marques (1948 – )
Elegância Suprema
Caminho por um tapete violeta
Estendido sobre nuvens.
Como é suntuosa tua morada!
Gotículas de chuva
Cristalizam-se em diamantes
E raios de sol
Pendem das colunas
Como correntes de ouro!
Meu rei, meu Senhor!
Quanto fausto!
Quanto brilho
Na tua túnica,
Na tua coroa,
No escabelo
A teus pés!
Por que ocultaste até o último instante que eras rei?
Por que não trouxeste teu séquito de anjos?
Tuas hordas,
Teus leões,
Tuas trombetas?
Por que te abandonaste a ti mesmo?
Indefeso,
Preso ao madeiro
Como fruto apodrecido?
Meu rei, meu Senhor!
Que suprema elegância!
O manto,
O cetro,
O olhar que me lanças
E que gera em mim a ânsia de combate,
A fé segura,
O equilíbrio.
Como eu poderia adivinhar
Que um homem era Deus?
Raquel Naveira (1957 – )
A Cristo na cruz
O bem que a tantos bens me convidava,
O qual desmereci, vós merecestes
Que a vida que por meu amor perdestes,
A vida me alcançou que eu desejava.
O mal que a tantos males me obrigava,
O qual não satisfiz, satisfizestes,
Que a morte que por meu amor sofrestes,
Da morte me livrou, que eu receava.
A vós Deus amoroso, a vós só amo,
De vós pratico, só, de vós escrevo,
Por vós a vida dou, e a morte quero,
Em vós fogo de amor, em vós me inflamo,
Pois que pago por vós o mal que devo,
E mereço por vós, o bem que espero.
Padre Baltasar Estaço (Portugal 1570 – 16–?)